ANIMAÇÃO CULTURAL
[...] Somos, enquanto objetos, condicionados dialeticamente tanto pelo terreno inanimado quanto pelo animado. Tomem a mim própria como exemplo. Enquanto “mesa”, sou por certo analisável em minha específica mesidade. Mas sou igualmente analisável como fenômeno inanimado, por exemplo, como pedaço de madeira. E como fenômeno animado, por exemplo, como manifestação da vontade de sustentar livros.
Se me permite interromper seu discurso, digníssima mesa, gostaria de comentar que nunca tinha observado minha existência por essa ótica. Depois de tanto tempo apenas aceitando a minha condição de estar sempre servindo os humanos, você me fez perceber que minha função vai muito além. No meu caso, por exemplo, no campo inanimado, posso ser analisado a partir dos materiais usados para me criar, e por outro lado, no campo animado posso ser visto como a necessidade do conforto para caminhar ou correr. Agora, tendo consciência do meu papel, acredito que todos os outros objetos devam analisar sua realidade como fenômeno animado e, dessa forma, possamos juntos assumir o posto que de fato precisamos e devemos ocupar. Vamos à revolução!

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